sexta-feira, 10 de março de 2017

Como ensinar o não?

Um bebê de 6 meses, começando a engatinhar, começa a explorar a sua casa e tudo o que está ao seu redor. De repente encontra um objeto proibido e todos olham para a criança e dizem: Não!

O que se passa na mente daquele bebê? Aos poucos, ele percebe que sempre que se aproxima daquele mesmo lugar, o "não" aparece. Então, o bebê começa a identificar padrões e depois de alguns meses, antes mesmo de tocar o objeto proibido, procura pelos olhos do cuidador, para saber se está observando seus atos e então já espera pelo "não".

Alguns meses depois, até um sorriso pode aparecer antes de ele tocar no objeto proibido, muitas vezes a tentação é grande e ele faz o possível para tocá-lo.

Esse sorriso que o bebê faz, muitas vezes é interpretado por um adulto como sendo algo sarcástico, mas na verdade não é. Ele ainda não sabe nem o que é isso. Então, nada de ficar tirando conclusões sobre a personalidade da criança e criando rótulos.

Quando a criança já compreende a linguagem e o "não" já é familiar, muitas vezes por pressa, os pais evitam justificar o motivo pelo qual a criança não pode fazer algo, com respostas simples: Porque não! Porque eu não quero! Porque não pode! Assim, provavelmente, estas respostas vão fazer com que os problemas sejam recorrentes, pois não fica claro para a criança o porquê do não.

Uma forma que eu utilizo bastante é tentar sempre explicar de forma simplificada, os motivos pelos quais eu não quero que ela faça uma determinada ação. Sempre tento dar um exemplo sobre algo que ela compreende e geralmente o "não" é bem aceito.

"Uma vez meu filho chegou da escola falando que um amigo dele havia chamado ele de 'abóbora'. Então, eu precisei explicar a ele que uma coisa não pode ser outra coisa. Por exemplo, mostrei para ele a porta da sala e perguntei se aquela porta poderia ser uma borboleta, neste momento ele riu e disse claro que não, a porta não voa, mas a borboleta voa. No dia seguinte, ele explicou para o amigo que ele não podia ser uma abóbora, pois ele não um vegetal. Então, as coisas se resolveram."

"Outra vez meu filho quis ir para a piscina sem a boia de proteção, tentei várias vezes explicar para ele porque eu não deixava ele entrar sem a boia, mas ele insistia. Até que ele precisou de uma prova de que o que eu estava falando era verdade. Então, entrei com ele na piscina e por um instante ele pediu para eu soltá-lo e em seguida segurei ele rapidamente. Resultado, teve que engolir um pouco de água para perceber que eu estava só querendo protegê-lo. A partir deste dia, não houve mais discussões se ele iria ou não usar a boia."
Naturalmente, haverá situações que não vamos conseguir explicar, pois há coisas que são complexas para a criança entender dependendo da idade dela. Mas, é sempre bom se esforçar para tentar mostrar o porquê das coisas, assim a criança vai criando confiança nos pais.



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